O campo harmônico menor funciona pelo mesmo princípio do maior: empilhar terças diatônicas sobre cada grau da escala. A diferença está na escala de partida — e, no caso do menor, qual versão da escala menor usamos faz toda a diferença.
Por que a escala menor harmônica?
A escala menor natural (modo eólio) tem um problema funcional: o V grau gera um acorde menor. E um acorde menor no V grau não tem a tensão necessária para resolver de volta no I — falta o trítono que caracteriza a função dominante.
A solução, usada desde o período barroco, é elevar o VII grau da escala em um semitom. A escala menor natural de Lá é Lá–Si–Dó–Ré–Mi–Fá–Sol. Ao elevar o Sol para Sol#, temos a escala menor harmônica: Lá–Si–Dó–Ré–Mi–Fá–Sol#. Agora o acorde do V grau (Mi–Sol#–Si) é maior — é um acorde dominante legítimo, com o trítono Sol#–Ré que resolve em Lá–Dó.
A consequência colateral dessa alteração é um intervalo de tom e meio (segunda aumentada) entre o VI e o VII grau (Fá–Sol#), que dá à escala menor harmônica sua sonoridade característica — um pouco árabe, um pouco dramática.
O padrão dos 7 graus
Ao empilhar terças diatônicas na escala menor harmônica, o padrão de qualidades é fixo para qualquer tonalidade:
I = menor · II° = diminuto · III+ = aumentado · IV = menor · V = maior · VI = maior · VII° = diminuto
Comparado ao campo maior, há duas novidades importantes: o III grau aumentado (tríade com quinta aumentada, resultado direto do VII elevado) e a presença de dois graus diminutos (II° e VII°), em vez de apenas um.
O V grau maior é o protagonista: é ele que justifica a existência da escala menor harmônica. Sem ele, a harmonia menor não teria resolução dominante→tônica com a mesma força.
Exemplo: Campo Harmônico de Lá menor harmônico
Campo Harmônico de Lá menor harmônico (Am) — Tríades
A ferramenta abaixo calcula as tríades do campo harmônico menor harmônico de qualquer tonalidade. No modo exercício, teste seus conhecimentos: primeiro a cifra do acorde, depois a formação.